Foto: Material obtido pelo Metrópoles
Uma mulher foi presa após confessar ter tentado envenenar o próprio marido dentro de um hospital no Distrito Federal, levando consigo três tipos diferentes de veneno no mesmo dia do crime.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificou vestígios de três substâncias tóxicas distintas em bolsas transportadas por Jozielly Pereira Viana da Silva, de 37 anos, até o Hospital Santa Marta, localizado em Taguatinga Sul (DF). A suspeita admitiu ter tentado envenenar o marido, de 61 anos, que permanece internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade.
Durante interrogatório, Jozielly declarou ao delegado que adquiriu os venenos com uma pessoa na rua, mas não forneceu maiores detalhes. “Comprei de uma pessoa por fora, no mesmo dia que fui no hospital”, relatou. A tentativa de homicídio ocorreu na última terça-feira (21/4).
De acordo com o boletim de ocorrência, após a confissão, foi realizada revista pessoal. Na sacola e na mochila utilizadas por ela durante a visita ao hospital, foram encontrados diferentes tipos de raticidas — substâncias químicas destinadas à eliminação de roedores — tanto em forma líquida quanto sólida, com características compatíveis com o material citado na denúncia inicial.
Entre os itens apreendidos estavam dois frascos plásticos de cor laranja com tampa branca contendo substância granulada conhecida como chumbinho; um frasco de raticida de 50 ml de determinada marca; e um saco de raticida à base de sementes de cereais, com 25 g. Todo o material foi recolhido para perícia pela PCDF.
A comercialização do chumbinho configura crime contra a saúde pública, conforme o Código Penal, podendo resultar em pena de prisão de 1 a 3 anos. O produto não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A prisão da suspeita ocorreu no mesmo dia do crime, já em sua residência, por agentes da 21ª Delegacia de Polícia. Ela deverá responder por tentativa de homicídio, tendo a prisão em flagrante convertida em preventiva.
A sacola contendo os materiais foi localizada por funcionários do hospital. O Metrópoles teve acesso a imagens que mostram o objeto utilizado pela mulher para transportar as substâncias até o quarto da vítima.
Registros exclusivos também mostram Jozielly entrando no Hospital Santa Marta, vestindo casaco vermelho e óculos, passando pela catraca da recepção e dirigindo-se ao quarto do marido antes da tentativa de envenenamento. A ação foi denunciada pela própria unidade hospitalar.
Ameaças
Em depoimento, a mulher afirmou que cometeu o ato após supostas ameaças feitas pelo companheiro, que, segundo ela, teria dito que mataria familiares e incendiaria a residência onde viviam. Jozielly descreveu o marido como uma pessoa agressiva e disse que ele fazia ameaças constantes. “Já ameaçou tacar fogo na minha casa. Já ameaçou matar todo mundo na minha casa, entendeu?”, declarou ao delegado.
Questionada se desejava a morte do companheiro, respondeu: “Se ele tivesse morrido, estava bom”.
Ela também confirmou ter comprado o chumbinho no mesmo dia do ocorrido. “Na raiva, eu pensei: ‘Você vai pagar pelo o que você fez comigo’. Só Deus sabe o que eu passei com ele”, afirmou.
Entenda o caso
• A mulher foi detida em casa sob suspeita de envenenar o marido, de 61 anos. A ação foi realizada por policiais civis da 21ª Delegacia de Polícia, e ela deve responder por tentativa de homicídio;
• A PCDF foi acionada pela administração do hospital para investigar o ocorrido. “O plantão policial da 21ª DP foi acionado, mediante comunicação realizada pela administradora, após ter encontrado material semelhante a substância venenosa na cavidade oral de um paciente de 61 anos”, informou;
• Durante as diligências, os agentes constataram que a esposa possuía substância semelhante à encontrada no organismo do homem.
Sinais incompatíveis
Em nota oficial, o Hospital Santa Marta confirmou o episódio e informou que acionou as autoridades competentes. A unidade destacou que o paciente estava internado na UTI e que, durante o atendimento, a equipe médica identificou sinais que não condiziam com o quadro clínico recente.
Diante disso, o hospital iniciou imediatamente os protocolos de segurança e comunicou o caso às autoridades. A instituição ressaltou que está colaborando integralmente com as investigações e que adota rigorosos procedimentos de segurança assistencial e institucional, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Esses procedimentos incluem monitoramento clínico contínuo e treinamento permanente das equipes para identificação precoce de qualquer alteração fora do padrão esperado”, informou o hospital.
Apesar da tentativa de envenenamento, o paciente sobreviveu e permanece em estado grave, sob ventilação mecânica.

Com informações de Metrópoles

