Mesmo diante de obstáculos impostos por autoridades e da pressão de grupos contrários, milhares de pessoas participaram da tradicional Marcha pela Vida na capital tcheca, em um evento marcado por restrições e protestos.
No último sábado (11), milhares de manifestantes pró-vida ocuparam as ruas de Praga, capital da República Tcheca, durante a Marcha pela Vida anual, embora, segundo os organizadores, limitações impostas pela polícia ao acesso ao principal ponto de encontro tenham reduzido consideravelmente o número de participantes.
O evento teve início com uma missa celebrada na catedral de São Vito, reunindo cerca de 2 mil fiéis antes do início da caminhada pró-vida. Durante a homilia, o arcebispo emérito de Praga, Jan Graubner, afirmou que “o caminho para o renascimento da Igreja e da sociedade não é possível sem o renascimento das famílias”.
Graubner destacou positivamente uma cultura fundamentada no amor, “que não vive para si mesma”, ressaltando também a importância da abertura ao Espírito Santo, da liberdade interior e da prática do perdão.
Segundo o arcebispo, há pessoas que rejeitam essa visão, pois “consideram a si mesmas o centro e o ápice de tudo”. Ele alertou que essa postura “isola as pessoas em bolhas e cria barreiras”, além de “causar pobreza porque há uma falta de amor que pode dividir”.
“Ameaça a paz porque há uma falta de amor que busca o bem dos outros”, disse Graubner. Por fim, “leva à depressão porque há uma falta de esperança na eternidade e a pessoa desiludida experimenta” que “ela não é o deus onipotente que imaginava”, concluiu Graubner.
Durante o percurso, ativistas favoráveis ao aborto tentaram impedir o avanço da marcha, gritando palavras de ordem e acusando os participantes de negar às mulheres o direito de escolha. Cinco pessoas foram detidas pela polícia, sem registro de incidentes graves. Diferentemente do ocorrido no ano anterior, quando houve bloqueio em determinado trecho, os organizadores optaram por dividir os participantes em grupos menores para evitar novas interrupções.
Tradicionalmente, o número de presentes aumenta ao chegar à praça Venceslau, um dos principais pontos da cidade e local de encerramento do evento. Contudo, neste ano, a área foi bloqueada pelas autoridades, permitindo o acesso apenas àqueles que insistiram em entrar — medida que dificultou especialmente a participação de famílias com crianças. Como resultado, tornou-se difícil calcular o total de presentes, e a concentração final foi significativamente menor que o esperado.
O grupo responsável pela organização, Hnutí Pro život ČR (Movimento pela Vida da República Tcheca), informou à EWTN News que avalia a possibilidade de formalizar uma denúncia contra o departamento policial.
“A liderança da polícia local impediu uma manifestação pública à qual o público tem direito”, declarou a organização. O grupo reiterou que o objetivo da marcha é apoiar mulheres que enfrentam gravidezes inesperadas, afirmando: “Acolhemos entre nós até mesmo aqueles que têm uma visão diferente”.
Ainda segundo os organizadores, faltou “vontade política” por parte das autoridades para assegurar a proteção do evento, permitindo que “os radicais agissem livremente e intimidassem os participantes”.
Em resposta, a assessoria de imprensa da Polícia da República Tcheca informou à EWTN News que não possui “nenhuma informação que sugira que os policiais tenham agido de modo inadequado”. Já a Direção Regional da Polícia em Praga não se manifestou diante do pedido de esclarecimento.

Com informações de ACI Digital

