Foto: Kobi Gideon/GPO
Nova iniciativa inspirada nos Acordos de Abraão mira cooperação entre Israel e países do Ocidente, com foco especial na América Latina e na defesa de valores comuns.
O presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram em 19 de abril, em Jerusalém, a criação dos chamados “Acordos de Isaac”, uma nova iniciativa diplomática voltada ao fortalecimento das relações entre Israel e países do Hemisfério Ocidental.
Já havia sido abordada anteriormente a existência dos “Acordos de Abraão”, uma articulação apoiada pelos Estados Unidos com o objetivo de promover a aproximação diplomática entre Israel e nações árabes.
O primeiro acordo desse modelo foi firmado em 2020, reunindo Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, com intermediação do governo norte-americano. Posteriormente, Marrocos e Sudão também passaram a integrar o processo, ampliando o grupo de países envolvidos na normalização das relações.
Agora, surgem informações sobre a formalização dos chamados “Acordos de Isaac”.
Mas o que representa, na prática, essa nova denominação?
De acordo com a imprensa israelense, trata-se de uma proposta estratégica voltada ao fortalecimento da cooperação entre Israel e países do Hemisfério Ocidental, com ênfase especial na América Latina.
O anúncio foi realizado durante a visita oficial de Milei a Israel, que incluiu encontros diplomáticos, assinatura de novos acordos bilaterais e uma visita ao Muro das Lamentações.
Milei classificou o lançamento dos acordos como “um momento histórico para nossas nações”.
“Isso não apenas fortalecerá a relação entre a Argentina e Israel, unidos por valores compartilhados, mas também representa um passo rumo a um hemisfério mais livre e próspero”, afirmou Milei.
Segundo o The Times of Israel, os Acordos de Isaac abrangem áreas como segurança, inteligência artificial, comércio, inovação e cooperação política em fóruns internacionais.
A iniciativa também contempla o aprofundamento das relações econômicas e tecnológicas entre os dois países, em um cenário de crescente aproximação entre Buenos Aires e Jerusalém.
Descendentes de Isaac e nações da tradição judaico-cristã
Como mencionado, a denominação “Isaac” faz referência direta aos Acordos de Abraão, estabelecidos em 2020.
A relação entre os dois projetos está no fato de que essa nova proposta busca seguir o mesmo modelo diplomático, porém direcionado agora a países latino-americanos e outros parceiros que compartilham valores da tradição judaico-cristã e estão alinhados aos princípios defendidos pelos signatários.
Essa perspectiva foi evidenciada na declaração de Netanyahu durante a cerimônia de assinatura dos Acordos de Isaac, realizada em seu gabinete.
Ele afirmou que as recentes transformações políticas na América do Sul — em alusão à ascensão de governos alinhados à direita e ao Ocidente, conforme análises de veículos internacionais — indicam o retorno do que denominou “aliança da liberdade”.
O primeiro-ministro declarou que “tudo começa com nós dois e com o apoio constante dos Estados Unidos às sociedades livres”, acrescentando que espera ver o modelo dos Acordos de Abraão aplicado também na América Latina.
“Tivemos Abraão, e agora temos Isaac. O que serão os Acordos de Jacó?”, brincou o primeiro-ministro.
Em comunicado conjunto, os governos afirmaram que o projeto busca reunir “os descendentes de Isaac e as nações da tradição judaico cristã” em defesa da liberdade, da democracia e no combate ao terrorismo, ao antissemitismo e ao narcotráfico.
Tentativas do Irã de expandir influência
O texto também destaca preocupações com possíveis iniciativas do Irã para ampliar sua influência e suas redes operacionais no Hemisfério Ocidental.
Durante a cerimônia, Netanyahu voltou a ressaltar que as recentes mudanças políticas na América do Sul representam, segundo sua visão, um retorno da chamada “aliança da liberdade”.
Por sua vez, Milei tem reiterado, nos últimos meses, seu apoio público a Israel e defendido uma política externa mais alinhada a Washington e Jerusalém.
A visita do presidente argentino também simboliza um nível inédito de aproximação entre Argentina e Israel desde o início de seu governo. Além dos Acordos de Isaac, os dois líderes anunciaram a criação de voos diretos entre Tel Aviv e Buenos Aires, fortalecendo as conexões diplomáticas, comerciais e turísticas entre as nações.

Com informações de Guiame

