Foto: Jim Watson/AFP/Getty Images via CNN Newsource
Uma sequência de mortes e desaparecimentos envolvendo especialistas ligados a pesquisas nucleares e aeroespaciais nos Estados Unidos mobiliza autoridades federais e levanta questionamentos sobre possíveis ligações entre os casos.
Nos Estados Unidos, autoridades federais, incluindo o FBI, a Casa Branca e o Comitê de Supervisão da Câmara, iniciaram investigações após uma série de mortes e desaparecimentos de cientistas ligados a projetos sensíveis nas áreas nuclear e aeroespacial, ocorridos nos últimos anos em diferentes estados do país.
Um professor e físico nuclear do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) foi assassinado a tiros em frente à sua residência no estado de Massachusetts. No Novo México, um general aposentado da Força Aérea desapareceu de sua casa. Já em Los Angeles, uma engenheira aeroespacial sumiu durante uma trilha.
Esses episódios fazem parte de um conjunto de pelo menos dez casos envolvendo profissionais ligados a pesquisas estratégicas dos EUA, cujas mortes ou desaparecimentos vêm gerando preocupação e alimentando especulações na internet sobre possíveis atividades ilícitas.
O FBI informou que está “liderando os esforços para buscar conexões entre os cientistas desaparecidos e falecidos”, acrescentando que “está trabalhando com o Departamento de Energia, o Departamento de Guerra e com nossos parceiros policiais estaduais e locais para encontrar respostas”.
Paralelamente, o Comitê de Supervisão da Câmara, sob liderança republicana, anunciou na segunda-feira (20) a abertura de uma investigação sobre os casos, destacando que os envolvidos tinham acesso a informações científicas sensíveis.
Segundo o comitê, as informações divulgadas “levantam questões sobre uma possível conexão sinistra” entre os episódios. Foram solicitados esclarecimentos ao FBI, ao Departamento de Defesa, ao Departamento de Energia e à Nasa.
O Departamento de Defesa declarou apenas que responderá diretamente ao comitê, enquanto o Departamento de Energia redirecionou as perguntas à Casa Branca.
Em publicação na rede social X, a Nasa afirmou que está “coordenando e cooperando com as agências relevantes” em relação aos casos.
“Neste momento, nada relacionado à Nasa indica uma ameaça à segurança nacional”, declarou a porta-voz Bethany Stevens.
Casos têm circunstâncias variadas
Os episódios apresentam características distintas. Alguns envolvem homicídios ainda não solucionados, enquanto outros tratam de desaparecimentos sem indícios de crime.
Em pelo menos dois casos, familiares apontaram problemas de saúde ou dificuldades pessoais como possíveis explicações. Até o momento, as autoridades não confirmaram qualquer ligação entre os घटनos.
Na semana anterior, a Casa Branca informou que também trabalha com agências federais para investigar possíveis conexões. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o assunto como “algo muito sério”.
“É muito improvável que seja uma coincidência”, afirmou o deputado republicano James Comer, presidente do Comitê de Supervisão, em entrevista ao Fox News Sunday.
“O Congresso está muito preocupado com isso. Nosso comitê está priorizando este caso agora, porque o consideramos uma ameaça à segurança nacional”, acrescentou.
O deputado democrata James Walkinshaw também defendeu a investigação, mas disse não estar convencido de uma ação coordenada.
“Os Estados Unidos têm milhares de cientistas e especialistas nucleares”, afirmou à CNN.
“Não é o tipo de programa nuclear que um adversário estrangeiro poderia impactar significativamente atacando 10 indivíduos”, completou.
Série de mortes e desaparecimentos
De acordo com parlamentares, a sequência de casos teve início em 2023 com a morte de Michael David Hicks, cientista que atuou por quase 25 anos no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa.
Hicks, de 59 anos, faleceu em 30 de julho de 2023. Especialista em cometas e asteroides, sua causa de morte não foi divulgada.
Sua filha, Julia Hicks, declarou à CNN que o pai enfrentava problemas de saúde e criticou as especulações:
“Pelo que sei do meu pai, não há nenhuma linha de raciocínio que o implique nesta possível investigação federal”.
“Não entendo a conexão entre a morte do meu pai e o desaparecimento dos outros cientistas.”
“Não consigo evitar rir disso, mas, ao mesmo tempo, a situação está ficando séria”.
Ela também afirmou que nenhuma autoridade havia feito contato com a família até a terça-feira (21).
Nos anos seguintes, outros casos envolvendo profissionais do JPL vieram à tona. Frank Maiwald morreu em 2024, aos 61 anos, em Los Angeles. Já Monica Reza, engenheira aeroespacial de 60 anos, desapareceu em junho de 2025 durante uma trilha.
Outro caso é o do major-general aposentado William Neil McCasland, desaparecido desde 27 de fevereiro após sair de casa em Albuquerque, deixando para trás objetos pessoais. O FBI participa das buscas.
McCasland esteve envolvido em projetos avançados do Pentágono e comandou o Laboratório de Pesquisa da Força Aérea.
Meses após o desaparecimento, não há informações sobre seu paradeiro. Sua esposa, Susan McCasland Wilkerson, rejeitou teorias que ligam o caso a atividades ufológicas:
“É verdade que Neil teve uma breve ligação com a comunidade ufológica”.
“Essa ligação não é motivo para alguém sequestrar Neil. Neil não tem nenhum conhecimento especial sobre os corpos extraterrestres e destroços do acidente de Roswell armazenados em Wright-Patterson”.
“Nenhum avistamento de uma nave-mãe pairando sobre as Montanhas Sandia foi relatado”.
Outros dois desaparecidos, Melissa Casias e Anthony Chavez, trabalhavam no Laboratório Nacional de Los Alamos.
Melissa, de 53 anos, desapareceu em junho de 2025 após ser vista caminhando em uma rodovia. A investigação segue em andamento, sem indícios de crime.
Chavez, de 78 anos, também desapareceu no mesmo ano. Apesar de buscas intensas, não foram encontrados sinais de atividade suspeita.
Seu amigo, Carl Buckland, comentou: “Já era hora”.
Especulações aumentam com mortes de cientistas
Nos últimos meses, novas mortes ampliaram as especulações.
Nuno F.G. Loureiro, professor do MIT, foi assassinado em dezembro de 2025. O atirador também matou dois estudantes da Universidade Brown.
Carl Grillmair, astrofísico do Caltech, foi morto em fevereiro aos 67 anos. Um suspeito foi preso, sem ligação conhecida com a vítima.
Matthew James Sullivan, ex-oficial da Força Aérea, morreu em 2024 antes de depor em um caso sobre OVNIs.
“Ele estava agendado para uma entrevista. Duas semanas depois, ele cometeu suicídio de forma suspeita”, afirmou o deputado Eric Burlison.
Já o caso de Amy Eskridge, falecida em 2022, voltou a ganhar destaque. Sua família declarou:
“As pessoas precisam entender que cientistas também morrem e não dar tanta importância a isso”.
Casa Branca investiga mortes com agências dos EUA
O presidente Donald Trump afirmou esperar que os ঘটনentos sejam coincidência:
“Espero que seja aleatório, mas saberemos na próxima semana e meia”.
A Casa Branca não detalhou reuniões sobre o tema, mas informou que trabalha com diversas agências para analisar os casos.
Segundo a secretária Karoline Leavitt, o governo busca identificar possíveis conexões:
“O governo trabalha ativamente com todas as agências relevantes e o FBI para revisar todos os casos de forma abrangente e identificar quaisquer pontos em comum que possam existir”.
A investigação ocorre diante de “recentes e legítimas perguntas”, e, segundo ela, “nenhuma pedra ficará sem ser revirada”.
O diretor do FBI, Kash Patel, declarou:
“Vamos procurar conexões… para verificar se há conexões com acesso a informações classificadas, acesso a informações confidenciais e/ou agentes estrangeiros”.
“Se houver alguma conexão que leve a conduta ilegal ou conspiração, o FBI fará a prisão apropriada”.

Com informações de CNN Brasil

