Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles
Possibilidade de Pablo Marçal disputar o Senado pelo União Brasil gera preocupação no PP e intensifica conflito dentro da federação partidária em São Paulo.
Em meio à disputa pelo controle da ala paulista da federação entre PP e União Brasil, integrantes das duas siglas passaram a considerar a hipótese de o União lançar o influenciador Pablo Marçal, recém-filiado ao partido, como candidato ao Senado.
Apesar de atualmente estar inelegível, Marçal sustenta que suas condenações na Justiça Eleitoral ainda não tiveram trânsito em julgado, o que, segundo ele, permitiria eventual reversão da situação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A eventual candidatura representaria um obstáculo ao projeto político do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), que até o momento figura como um dos principais nomes cotados para disputar o Senado dentro da base de apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na avaliação de integrantes das duas legendas, Marçal teria capacidade de atrair parcela significativa do eleitorado de Derrite, colocando em risco o desempenho eleitoral do ex-secretário da Pública.
Publicamente, o principal nome do União Brasil em São Paulo, o ex-vereador Milton Leite, descarta a candidatura de Marçal ao Senado e afirma que o influenciador deve buscar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Entretanto, aliados do dirigente indicam, nos bastidores, que a possibilidade de lançamento do ex-candidato à Prefeitura de São Paulo para o Senado pode ganhar força caso o PP mantenha a intenção de indicar seu presidente nacional, senador Ciro Nogueira (PI), para liderar a federação no estado.
Apuração do Metrópoles aponta que o chamado “fator Marçal” gerou preocupação entre lideranças do PP, que consideram que uma eventual candidatura contrariaria um acordo previamente estabelecido entre os partidos e também com o governador Tarcísio. Na segunda-feira (13/4), Ciro Nogueira se reuniu com o governador no Palácio dos Bandeirantes para discutir a formação da chapa.
Ameaça de “implosão”
Caso a indicação de Ciro Nogueira para comandar a federação em São Paulo se concretize, o movimento também pode reduzir a influência de Milton Leite, que tem ameaçado “implodir” a aliança caso o PP assuma o controle estadual.
Na mesma segunda-feira (13/4), o diretório estadual do União Brasil divulgou nota afirmando não aceitar ser “governado por procuração” e manifestando “veemente repúdio a qualquer articulação que pretenda entregar o comando da futura federação a lideranças alheias à realidade e aos desafios do nosso estado”. “Ainda que ao senador Ciro Nogueira, a quem temos profundo respeito”, acrescenta o comunicado.
Filho de Milton Leite, o deputado federal Alexandre Leite, atual presidente estadual do União Brasil, menciona no texto “tentativas sorrateiras de extorsão” atribuídas ao partido liderado por Ciro Nogueira.
“O PP estadual e nacional precisam entender que parcerias se constroem com diálogo e respeito mútuo, e não por meio de tentativas sorrateiras de extorsão. Não permitiremos que o esforço de nossos parlamentares e candidatos seja colocado a serviço de projetos que ignoram as prioridades de São Paulo”.
O União Brasil também afirma que, caso prevaleça a indicação do senador do Piauí para a presidência da federação em São Paulo, a sigla “trabalhará para inviabilizar em definitivo qualquer aliança e irradiará instabilidade para todo o projeto eleitoral”.

Com informações de Metrópoles

