Foto: Victor Piemonte/STF
Ministro do STF decide acionar relator da CPI após tentativa de indiciamento ser rejeitada, em meio a acusações de abuso de poder e disputas nos bastidores da comissão.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou a interlocutores, na noite de terça-feira (14), que pretende acionar o relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, junto à Procuradoria-Geral da República, alegando abuso de poder em decorrência do relatório apresentado pelo parlamentar na comissão.
No documento elaborado pelo senador, foi solicitado o indiciamento de Gilmar Mendes e dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por suas atuações relacionadas ao Caso Master.
A proposta, entretanto, acabou rejeitada no colegiado após obter seis votos contrários, resultado de uma articulação do governo que garantiu maioria dentro da comissão.
Ainda durante a tarde da mesma terça-feira, Gilmar Mendes já havia indicado que tomaria medidas contra o senador.
Ao iniciar a sessão da Segunda Turma, o ministro fez críticas à forma como os trabalhos da CPI vinham sendo conduzidos, mencionando o que classificou como “vazamentos seletivos” de documentos, além da criação de “narrativas apressadas” sobre fatos que ainda estão em fase de investigação.
Também se manifestou o ministro Dias Toffoli, que declarou que o relatório final da CPI do Crime Organizado pode caracterizar abuso de poder com possíveis efeitos na esfera eleitoral, incluindo eventual inelegibilidade dos envolvidos.
“Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando as instituições, para obter voto e conspurcar o voto do eleitor. Porque é disso que se trata, quando surge um relatório aventureiro desse. É tentativa de obter votos”, afirmou Toffoli.
Em última instância, uma eventual representação contra Alessandro Vieira seria analisada por Paulo Gonet — que também foi citado no relatório — e julgada pelo STF. Nos bastidores, a movimentação teria como objetivo tornar o senador inelegível, considerando que ele pretende disputar a reeleição neste ano.

Com informações de CNN Brasil

