Foto: Cesar Itiberê/PR
Uma investigação revelou que a tentativa de venda do Banco Master envolve articulações com investidores estrangeiros, participação do ex-presidente Michel Temer e suspeitas de um plano que poderia facilitar a saída do país do banqueiro Daniel Vorcaro.
A tentativa de negociação do Banco Master veio à tona a partir de apuração que identificou conexões com investidores internacionais, intermediários e o ex-presidente Michel Temer. Documentos analisados indicam que a operação, divulgada pouco antes da primeira prisão de Daniel Vorcaro, é interpretada pela Polícia Federal como uma possível estratégia para permitir sua saída do Brasil sob justificativa empresarial.
A operação foi apresentada como uma aquisição pelo grupo Fictor, com previsão de investimento inicial de R$ 3 bilhões e participação de fundos oriundos dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, investigadores apontaram inconsistências na transação e destacaram suspeitas de que o processo foi conduzido de forma acelerada após Vorcaro ter sido avisado sobre a possibilidade de detenção. O plano de voo do jatinho que ele utilizaria indicava Malta como destino final, apesar da viagem estar oficialmente vinculada a compromissos em Dubai.
Registros obtidos mostram que, mesmo após a liquidação da instituição, contratos continuaram sendo firmados com supostos investidores estrangeiros. Um dos documentos apresenta assinatura de representantes ligados à gestora Royal Capital, com intermediação de empresários brasileiros. Em determinadas situações, assinaturas internacionais aparecem associadas a CPFs de terceiros no Brasil, levantando questionamentos sobre a veracidade e a estrutura jurídica dessas operações.
A investigação também aponta a atuação de intermediários com acesso a investidores árabes e russos, além de nomes conhecidos no cenário político e empresarial. Michel Temer teria participado de articulações para apresentar Vorcaro a integrantes da realeza dos Emirados, durante tentativas de encontrar compradores para o banco, que já enfrentava pressões decorrentes de investigações.
Paralelamente, o Banco Central do Brasil já havia impedido anteriormente a venda do Master ao Banco de Brasília, citando riscos elevados e inconsistências nos ativos da instituição. Mesmo assim, o banco estatal adquiriu uma parcela significativa de carteiras de crédito do Master, operação que resultou em prejuízos bilionários e intensificou a crise.
A operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, identificou indícios de um esquema que teria movimentado bilhões por meio de carteiras de crédito consideradas irregulares. No dia seguinte à prisão de Vorcaro, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, impactando mais de 1,6 milhão de clientes e acionando o Fundo Garantidor de Créditos em uma das maiores operações de ressarcimento já registradas.
Apesar da sequência de contratos, reuniões e promessas de aporte financeiro, a negociação não foi concretizada. Semanas depois, o grupo Fictor entrou em recuperação judicial, alegando dificuldades de liquidez, enquanto Vorcaro permanece sob investigação e busca negociar um acordo de colaboração para reduzir eventual condenação.

Com informações de Hora Brasília

