Foto: Paróquia Católica de Santa Ágata
Declarações contundentes do bispo auxiliar de Manágua denunciam líderes autoritários como responsáveis por retirar a liberdade e o futuro da população, em meio à perseguição religiosa na Nicarágua.
O bispo auxiliar de Manágua, na Nicarágua, Silvio Báez, atualmente no exílio, declarou no último domingo (26) que os verdadeiros “ladrões e bandidos” da atualidade são os poderosos que retiram a liberdade e o futuro do povo, referindo-se a regimes autoritários e seus agentes.
“Hoje, os ladrões e bandidos são os poderosos que se apoderam da liberdade e do futuro do povo; os ditadores e seus capangas que se disfarçam de políticos, mas que, na realidade, são delinquentes e criminosos”, disse o bispo auxiliar de Manágua, Nicarágua, Silvio Báez, do exílio, no último domingo (26).
“Hoje eles são muito perigosos, porque, de modo blasfemo, interpretam seus abusos, atos de corrupção e injustiças como uma bênção de Deus”, disse o bispo nicaraguense, exilado há sete anos, na missa de domingo na paróquia de Santa Ágata em Miami, Flórida, EUA.
“Eles são também muito cínicos, falando constantemente sobre paz enquanto mantêm estruturas opressivas que impedem o povo de ter iniciativa ou liberdade”, disse Báez. “São todos ladrões e bandidos”.
A reflexão foi feita durante o Domingo do Bom Pastor, ocasião em que o bispo abordou a figura de Jesus Cristo como aquele que cuida de Suas ovelhas, contrastando com os “ladrões e bandidos” que “entram pulando a cerca do aprisco, se escondem e cometem violência e vêm só para roubar, matar e destruir (cf. Jo 10,10)”.
Silvio Báez deixou a Nicarágua em abril de 2019 após criticar o governo do presidente Daniel Ortega e de sua esposa, a co-presidente Rosario Murillo, apontados como responsáveis por perseguições à Igreja, intensificadas após os protestos de 2018 contra as condições de vida no país.
O regime nicaraguense expulsou quatro bispos do país, além de padres, freiras, seminaristas e leigos; confiscou dezenas de propriedades da Igreja; proibiu ordenações em dioceses sem bispos; impede o envio de ajuda financeira estrangeira à Igreja; e mantém rígido controle sobre o clero nacional, entre diversas outras medidas que afetam os fiéis católicos.
“Jesus não vem para nos tirar a liberdade, mas para nos libertar de tudo o que nos condiciona e oprime; Ele não obscurece a nossa consciência, mas a ilumina; Ele não nos arrebata as nossas alegrias autênticas, mas as multiplica”, disse o bispo.
Segundo Báez, Jesus conhece cada uma de Suas ovelhas, pois “para Ele não somos uma massa anônima”.
“A massificação das pessoas é contrária ao amor, e a despersonalização só fomenta a dominação despótica”, disse Báez.
“Jesus também não permite que Suas ovelhas sejam aprisionadas por nenhum poder humano que viole sua dignidade ou lhes roube a liberdade”, disse ele. “Jesus nos tira dos currais que nos escravizam e nos conduz a novas terras de vida abundante”.
“Jesus veio para que tenhamos não só o mínimo sem o qual a vida não é vida, mas uma vida abundante e exuberante, que transborda em nós, alcança os outros e que um dia nos conduzirá à vida sem fim além da morte”, concluiu o bispo auxiliar de Manágua.

Com informações de ACI Digital

