Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Em entrevista a veículos alinhados ao PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o caso do Banco Master para sustentar que escândalos de corrupção aparecem apenas em governos que atuam no combate às irregularidades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista nesta terça-feira, 14, aos portais Brasil 247, Revista Fórum e Diário do Centro do Mundo, ocasião em que abordou o escândalo envolvendo o Banco Master, atribuindo indiretamente responsabilidades ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e defendendo uma tese sobre a relação entre corrupção e sua exposição.
Durante a entrevista, o chefe do Executivo apresentou um raciocínio que chamou atenção ao comentar os casos de corrupção associados ao seu governo. Segundo ele, a existência de escândalos estaria diretamente ligada à atuação das autoridades no combate às irregularidades. “Quando você apura a corrupção e prende o bandido, aparece a corrupção. Aparece no governo de quem? De quem combate a corrupção. De quem não combate a corrupção não aparece”, declarou o presidente.
A linha de argumentação adotada sustenta que a visibilidade de escândalos indicaria ação governamental no enfrentamento desses crimes. Dentro dessa lógica, episódios como o Mensalão, o Petrolão, o escândalo no Ministério da Educação, além de suspeitas envolvendo o Banco Master e denúncias direcionadas a ministros e aliados, seriam interpretados como reflexo de um governo atuante. Assim, quanto maior o número de casos revelados, maior seria, segundo essa visão, o compromisso com o combate à corrupção.
Banco Master: Lula cobra transparência de Galípolo
Ainda na mesma entrevista, Lula afirmou ter solicitado ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que esclareça publicamente a origem do escândalo do Banco Master. O presidente destacou que não deseja acusações diretas contra Roberto Campos Neto, ressaltando: “porque você não é policial e nem procurador”, mas defendeu que seja demonstrado à população “quem é quem no cinema, quem é o artista principal e quem é o coadjuvante”.
A declaração sugere uma estratégia de vincular o nome de Campos Neto ao episódio, especialmente em um contexto que antecede o cenário eleitoral de 2026. Paralelamente, Lula também mencionou a Polícia Federal, vinculada ao Ministério da Ministério da Justiça, indicando que a instituição deveria declarar publicamente que os crimes identificados a partir de 2023 teriam sido operacionalizados durante a gestão anterior.
Fies enfrenta dificuldades e governo admite problema na economia
No campo da economia, o presidente reconheceu que estudantes vinculados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) voltaram a enfrentar dificuldades financeiras, afirmando que muitos estão “outra vez ficando no vermelho”. Ele declarou que o governo avalia alternativas para reduzir o impacto dessas dívidas, admitindo, assim, a persistência do problema mesmo após medidas anteriores.
Nova promessa na área de segurança pública
Lula também voltou a mencionar a intenção de criar o Ministério da segurança Pública, condicionando a iniciativa à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Congresso Nacional. A proposta, entretanto, já havia sido apresentada anteriormente sem avanço concreto.
Ao longo da entrevista, o presidente, que já foi condenado, preso e posteriormente teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, apresentou uma interpretação própria sobre os escândalos de corrupção, tratando-os como indicativos de atuação governamental no combate a irregularidades.

Com informações de Hora Brasília

