Foto: Wikimedia Commons
Mobilização nacional do MST intensifica ocupações em áreas rurais e prédios públicos, reacendendo o debate sobre reforma agrária e cobrando ações do governo.
Na madrugada desta quarta-feira (15/4), cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra invadiram a Fazenda Córrego, localizada no município de Madalena, no sertão do Ceará. A ação integra uma mobilização coordenada em nível nacional, com o objetivo de ampliar a pressão por medidas relacionadas à reforma agrária.
De acordo com o MST, a propriedade ocupada possui mais de 300 hectares classificados como improdutivos, argumento utilizado pelo movimento para justificar a ação dentro de sua pauta histórica voltada à redistribuição de terras.
A invasão faz parte da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, que ocorre entre os dias 13 e 17 de abril em diversas regiões do país. Durante esse período, o movimento promove ações simultâneas com o intuito de dar maior visibilidade às suas reivindicações.
Neste ano, o lema adotado é “Basta de violência contra os povos e a natureza! 30 anos de Carajás”.
A escolha da data também remete aos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, episódio em que 21 trabalhadores rurais morreram durante uma operação policial.
Segundo o MST, o caso permanece como símbolo da violência no campo e da impunidade, destacando que, ao longo das décadas, poucos dos responsáveis foram efetivamente punidos.
O movimento afirma ainda que, dos 155 agentes estatais envolvidos na ocorrência, apenas dois chegaram a ser presos, reforçando as críticas à falta de justiça.
Além da responsabilização dos envolvidos, o MST também reivindica reparações às vítimas e sobreviventes, alegando que diversas famílias ainda aguardam reconhecimento e apoio por parte do Estado.
A mobilização também tem como finalidade pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a avançar nas políticas agrárias. Na avaliação do movimento, os assentamentos existentes não são suficientes. Entre as principais demandas apresentadas estão:
• Expansão do número de assentamentos rurais
• Aceleração da reforma agrária
• Garantia de infraestrutura para famílias assentadas
• Implementação de políticas de apoio à produção agrícola familiar

Com informações de Terra Brasil Notícias

