Brasília (DF), 23/02/2024, O ministro do STF, Gilmar Mendes, durante entrevista exclusiva em seu gabinete. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Ministro do STF solicita inclusão de Romeu Zema em investigação sigilosa após publicação de vídeo com críticas e simulação envolvendo magistrados da Corte.
O ministro Gilmar Mendes acionou o também ministro Alexandre de Moraes para que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seja incluído no inquérito das fake news, que corre sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, após a divulgação de um vídeo com críticas direcionadas à Corte.
O ministro Gilmar Mendes encaminhou a Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), solicitando sua inclusão no inquérito das fake news, atualmente em tramitação sigilosa no Supremo Tribunal Federal.
A medida foi motivada por um vídeo divulgado por Zema em suas redes sociais no mês anterior. No conteúdo, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli são representados por fantoches em um diálogo fictício relacionado a uma decisão judicial, com menção ao resort Tayayá, que já esteve vinculado a Toffoli e posteriormente foi adquirido por um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Na gravação, o personagem associado a Toffoli pede a suspensão da quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado. Em resposta, o boneco que representa Gilmar atende à solicitação e, em seguida, faz um pedido em troca envolvendo o resort: “Só uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana.”
Na notícia-crime, Gilmar Mendes sustenta que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa.” O ministro classificou o vídeo como deep fake, apontando que se trata de uma produção com “sofisticada edição profissional” e argumentou que o material tem “claro intuito de vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal.”
No documento encaminhado a Moraes, Gilmar afirma que o ex-governador extrapolou os limites da crítica política, atingindo diretamente a honra dos ministros e da própria Corte. Após receber a notícia-crime, Alexandre de Moraes enviou o caso à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou sobre possíveis medidas.
O vídeo com os fantoches integra uma série de críticas feitas por Zema ao Supremo. Durante um encontro com empresários em São Paulo, o pré-candidato declarou: “Dias Toffoli e Alexandre de Moraes não merecem só processo de impeachment, merecem prisão.”
Em manifestação realizada no dia 1º de abril, Zema também afirmou que ministros se considerariam “acima de todas as leis” e voltou a criticar o tribunal em um ato cuja pauta incluía o impeachment de Moraes e Toffoli.

Com informações de Conexão Política

