Foto: Vatican Media
Pontífice convoca cardeais do mundo inteiro para reunião em junho e destaca a importância da Evangelii gaudium como guia para a missão da Igreja na atualidade.
O papa Leão XIV anunciou a convocação de um consistório com a participação de todos os cardeais do mundo, programado para os dias 26 e 27 de junho, afirmando que tais encontros e as contribuições do colégio cardinalício constituem “uma herança preciosa” para a Igreja.
A declaração consta em carta enviada aos membros do Colégio de Cardeais, datada do último domingo (12) e divulgada nesta terça-feira (14). No documento, Leão XIV também recorda o primeiro consistório sob sua presidência, realizado nos dias 7 e 8 de janeiro.
Durante essa reunião inicial, por iniciativa do próprio pontífice, os cardeais selecionaram dois entre quatro temas propostos por Leão XIV para orientar os trabalhos.
Após deixarem de lado a questão litúrgica — especialmente o rito anterior ao Concílio Vaticano II — e o debate sobre as relações entre a Santa Sé e as conferências episcopais, os cardeais decidiram concentrar-se na “missão da Igreja no mundo de hoje” e no “sínodo e na sinodalidade como instrumento e estilo de colaboração”.
“Apreciei muito o trabalho realizado nos grupos, que permitiu uma troca livre, concreta e espiritualmente frutífera, assim como a qualidade das intervenções na assembleia”, escreve o papa na carta.
Evangelii gaudium como texto de referência
Leão XIV também aborda a exortação apostólica Evangelii gaudium — primeiro documento desse tipo do papa Francisco, publicado em 24 de novembro de 2013 — que tem como foco “proclamar o querigma”, ou seja, transmitir “o Evangelho com Cristo no centro”.
Segundo o pontífice, esse tema surgiu com destaque nos debates dos grupos dedicados à sinodalidade, o que o levou a esclarecer pontos de um texto considerado programático do pontificado anterior, especialmente no que diz respeito, como afirma Leão XIV, “o que se refere à missão e à transmissão da fé”.
“A partir das suas contribuições, fica claro como essa Exortação continua representando um ponto de referência decisivo: não introduz simplesmente novos conteúdos, mas recentra tudo no querigma como coração da identidade cristã e eclesial”, diz o papa.
Processos de conversão, em vez de reformas imediatas
Embora reconheça a Evangelii gaudium como um verdadeiro “sopro de ar fresco”, Leão XIV afirma que seu valor reside em ser “capaz de pôr em movimento processos de conversão pastoral e missionária, em vez de produzir reformas estruturais imediatas, guiando assim profundamente o caminho da Igreja”.
A carta também trata das consequências dessa perspectiva em diferentes níveis. No plano pessoal, o papa incentiva todos os batizados a renovarem seu encontro com Cristo, “passando de uma fé meramente recebida para uma fé verdadeiramente vivida e experimentada”. Esse processo, segundo ele, impacta diretamente “a própria qualidade da vida espiritual, na primazia da oração, no testemunho que precede as palavras e na coerência entre fé e vida”.

Com informações de ACI Digital

