Foto: Breno Esaki/Metrópoles
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) nos Estados Unidos pelo serviço de imigração americano após meses fora do Brasil, em meio a um processo judicial que resultou em sua condenação a 16 anos de prisão.
O caso envolve um dos nomes mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que deixou o país diante da perseguição do Supremo Tribunal Federal. A prisão ocorreu em Orlando, na Flórida, por agentes do ICE, e foi confirmada pela Polícia Federal e pelas autoridades americanas.
Ramagem estava nos Estados Unidos desde setembro de 2025, após ter deixado o Brasil no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes votou por sua condenação. Com a decisão, foi decretada sua prisão. A investigação da Polícia Federal revelou que ele saiu do país pela fronteira com a Guiana, passando por Bonfim, em Roraima, onde cruzou a divisa terrestre — separada apenas por um rio — antes de seguir viagem.
Já fora do Brasil, o ex-parlamentar embarcou para Miami, com registro de entrada no dia 11 de setembro. Inicialmente sozinho, posteriormente passou a viver com a esposa e os filhos em território americano. Sua permanência no país, no entanto, tornou-se irregular após a perda do passaporte diplomático, consequência direta da perseguição e cassação de seu mandato em dezembro de 2025.
Ainda naquele mês, em 30 de dezembro, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição às autoridades dos Estados Unidos, por meio da Embaixada do Brasil em Washington, que encaminhou a documentação ao Departamento de Estado norte-americano.
Delegado da Polícia Federal, Ramagem teve papel central no governo Bolsonaro ao comandar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre julho de 2019 e março de 2022. Sua proximidade com o ex-presidente começou ainda na campanha de 2018, quando atuou na segurança pessoal do então candidato.
Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da Polícia Federal, mas a decisão foi barrada pelo STF. A medida atendeu a um pedido do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e considerou declarações do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que apontava tentativa de interferência na corporação. Segundo Moro, Bolsonaro pretendia nomear “alguém do contato pessoal dele” para “colher informações de investigações em andamento”.
Com projeção política crescente, Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022, com 59 mil votos. Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro com apoio da família Bolsonaro, ficando em segundo lugar, com 30,81% dos votos, atrás de Eduardo Paes.
A cassação de seu mandato ocorreu em dezembro de 2025, após a condenação pelo STF por envolvimento no que a esquerda chama de “trama golpista”, marco decisivo que culminou em sua saída do país e posterior condição de foragido.
A prisão nos Estados Unidos representa um novo capítulo no caso, abrindo caminho para possíveis desdobramentos no campo da cooperação internacional e da aplicação da justiça entre nações. A situação migratória irregular foi determinante para a ação do ICE, e agora o foco recai sobre a possibilidade de extradição para o Brasil.

Com informações de Metrópoles.

